Introdução: A fazenda que triplicou sua produtividade com IoT
Março de 2023, interior de Mato Grosso. O produtor João Silva (nome fictício) observa preocupado suas 2.500 hectares de soja. A safra anterior havia sido decepcionante: produtividade abaixo da média regional, custos elevados com fertilizantes aplicados de forma inadequada, e perdas significativas por pragas que só foram detectadas quando já era tarde demais. Com margens apertadas e pressão crescente por sustentabilidade, João sabia que precisava de uma mudança radical.
Doze meses depois, o cenário era completamente diferente. Sensores IoT espalhados estrategicamente pela propriedade monitoravam umidade do solo, temperatura, condições climáticas e presença de pragas em tempo real. Drones equipados com câmeras multiespectrais mapeavam a variabilidade nutricional das plantas. Tratores conectados aplicavam fertilizantes e defensivos com precisão milimétrica, baseados em dados coletados por satélites e processados por inteligência artificial.
O resultado? Aumento de 47% na produtividade, redução de 32% no uso de defensivos, economia de 28% em fertilizantes e um ROI de 340% no primeiro ano de implementação da tecnologia IoT.
Esta transformação não é exceção no agronegócio brasileiro. De acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cerca de 67% das propriedades agrícolas do país já fazem uso de algum tipo de tecnologia digital, e o setor de IoT na agricultura deve movimentar entre US$ 5 bilhões e US$ 21 bilhões até o final de 2025, conforme projeções do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.
Neste artigo, exploraremos como a Internet das Coisas (IoT) está revolucionando a agricultura de precisão no Brasil, os desafios de implementação, cases de sucesso, análise de ROI e um roadmap prático para transformar sua propriedade rural em uma fazenda inteligente e altamente produtiva.
O cenário atual da agricultura digital no Brasil
O potencial inexplorado do agro brasileiro

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O agronegócio brasileiro é uma potência mundial indiscutível. Com participação de 23,8% no PIB nacional em 2023, segundo dados da CNA e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o setor mantém o país como um dos maiores exportadores de commodities agrícolas do mundo. No entanto, um dado chama atenção: apenas 5% da área agricultável do país está conectada à internet, conforme estudo da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
Esta aparente contradição revela uma oportunidade extraordinária. Enquanto o Brasil domina a produção em volume, há um imenso potencial de otimização através da digitalização e implementação de tecnologias IoT que podem revolucionar a eficiência produtiva.
O mercado global de agricultura de precisão está em expansão acelerada. Segundo a consultoria Markets and Markets, o setor deve crescer de US$ 12,9 bilhões em 2021 para US$ 20,8 bilhões em 2026, com uma taxa de crescimento anual de 10,1%. O Brasil, com suas dimensões continentais e diversidade climática, está posicionado para liderar essa transformação na agricultura tropical.
Números que impressionam: o impacto da IoT na produtividade
Um estudo realizado pela parceria entre Embrapa, SEBRAE e INPE revelou dados surpreendentes sobre a adoção de tecnologias digitais no campo brasileiro:
- 84,1% dos agricultores participantes da pesquisa utilizam ao menos uma tecnologia digital em seu processo produtivo
- Apenas 15,9% alegaram não utilizar nenhuma tecnologia digital
- Sites que implementam agricultura de precisão com IoT registram aumento de até 70% na produção de alimentos
- A necessidade estimada de aumento na produção global para atender a demanda até 2050 exige incremento de 70% na eficiência produtiva
TABELA: Participação do agronegócio por região e potencial de digitalização (2024)
| Região | Participação no PIB Agro (%) | Propriedades Conectadas (%) | Potencial de Crescimento IoT |
|---|---|---|---|
| Centro-Oeste | 35,2% | 12% | Alto |
| Sudeste | 23,8% | 18% | Muito Alto |
| Sul | 18,5% | 22% | Alto |
| Nordeste | 12,4% | 3% | Muito Alto |
| Norte | 10,1% | 2% | Altíssimo |
Fonte: Adaptado de dados CNA/Cepea e Embrapa/SEBRAE/INPE 2024
As tecnologias IoT transformando o campo brasileiro
Sensoriamento inteligente: os olhos digitais da fazenda
A implementação de sensores IoT representa a espinha dorsal da agricultura de precisão moderna. Estes dispositivos inteligentes coletam dados continuamente sobre múltiplas variáveis ambientais e agronômicas, criando um mapa detalhado das condições reais da propriedade.
Tipos principais de sensores utilizados:
- Sensores de solo: Monitoram umidade, temperatura, pH, condutividade elétrica e níveis de nutrientes
- Estações meteorológicas conectadas: Coletam dados de precipitação, velocidade do vento, radiação solar e pressão atmosférica
- Sensores de plantas: Medem estresse hídrico, índices de vegetação e detecção precoce de doenças
- Sensores de máquinas: Monitoram desempenho, consumo de combustível e necessidades de manutenção
Exemplo prático de aplicação:
Uma fazenda no oeste da Bahia implementou uma rede de 200 sensores de umidade do solo distribuídos em 1.800 hectares de algodão. O sistema automatizado de irrigação passou a operar baseado em dados reais de necessidade hídrica de cada talhão, resultando em:
- Economia de 35% no consumo de água
- Aumento de 22% na produtividade
- Redução de 18% nos custos operacionais de irrigação
Agricultura de precisão com drones e imagens de satélite
A integração de drones com sensores multiespectrais e tecnologia IoT revolucionou o monitoramento de culturas. Esta combinação permite identificar problemas nas lavouras antes mesmo que sejam visíveis ao olho humano.
Capacidades dos drones conectados:
- Mapeamento NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada)
- Detecção precoce de pragas e doenças
- Monitoramento de estresse nutricional
- Análise de variabilidade espacial
- Estimativa de produtividade
Vídeo: Demonstração prática de drones na agricultura de precisão brasileira
Máquinas conectadas: a era dos tratores inteligentes
Grandes fabricantes como John Deere, Case IH e Valtra já produzem todas as suas máquinas de médio e grande porte com dispositivos IoT integrados. Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil, destaca que “todas as máquinas de médio e grande porte da fabricante são produzidas com dispositivos IoT com possibilidade de serem conectadas”.
Funcionalidades das máquinas conectadas:
- Aplicação de insumos em taxa variável
- Monitoramento de produtividade em tempo real
- Otimização de rotas e consumo de combustível
- Manutenção preditiva baseada em dados
- Integração com sistemas de gestão da fazenda
Benefícios concretos da implementação de IoT
Aumento da produtividade e otimização de recursos

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A agricultura de precisão habilitada por IoT demonstra resultados consistentes e mensuráveis. Empresas como a Fendt projetam “uma oportunidade para aumento na rentabilidade das fazendas em torno de 20% nos próximos cinco anos devido aos ganhos de produtividade ao longo do ciclo das culturas”.
Benefícios primários identificados:
Precisão na aplicação de insumos: Eliminação de sobreposições e subdosagens, resultando em economia de 15-30% em fertilizantes e defensivos
Otimização do uso da água: Sistemas de irrigação inteligente reduzem o consumo hídrico em até 40% mantendo ou aumentando a produtividade
Detecção precoce de problemas: Identificação de pragas, doenças ou deficiências nutricionais antes que causem perdas significativas
Melhoria na tomada de decisão: Dados em tempo real permitem intervenções rápidas e precisas
Aumento da rastreabilidade: Controle completo sobre o histórico produtivo, atendendo demandas de sustentabilidade e certificações
Sustentabilidade ambiental e compliance
A implementação de IoT na agricultura contribui significativamente para práticas mais sustentáveis:
- Redução no uso de pesticidas: Aplicação direcionada apenas onde necessário
- Conservação da água: Irrigação inteligente baseada em necessidades reais das plantas
- Preservação do solo: Monitoramento contínuo de saúde do solo e práticas conservacionistas
- Redução da pegada de carbono: Otimização de operações e menor uso de combustíveis
Desafios e barreiras para implementação
Conectividade: o grande gargalo brasileiro

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O principal obstáculo para a expansão da IoT na agricultura brasileira é a conectividade limitada. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária revelam que “mais de 70% das propriedades rurais no país ainda permanecem offline, sem qualquer conexão com a internet”.
Principais desafios de conectividade:
Infraestrutura limitada: Muitas áreas rurais carecem de torres de celular e cabos de fibra óptica adequados
Custos elevados: A implantação de infraestrutura em áreas remotas envolve investimentos significativos
Barreiras geográficas: Montanhas, florestas densas e vastas extensões dificultam a propagação de sinais
Baixa densidade populacional: Retorno financeiro limitado para operadoras em áreas rurais
Limitações tecnológicas: Falta de cobertura 4G e 5G impede tecnologias mais avançadas
Aspectos econômicos e capacitação
Custos de implementação:
O investimento inicial em tecnologias IoT pode representar um desafio, especialmente para pequenos e médios produtores. Uma pesquisa da Embrapa/Sebrae/INPE identificou que 41% dos produtores mencionaram a “falta de conhecimento sobre quais são as tecnologias mais apropriadas para cada necessidade”.
Barreiras culturais:
Ainda existe resistência de alguns produtores mais tradicionais em adotar novas tecnologias, principalmente devido a:
- Percepção de que tecnologia é destinada apenas a grandes produtores
- Falta de conhecimento sobre retorno do investimento
- Receio de complexidade operacional
- Preocupações com segurança de dados
TABELA: Principais barreiras para adoção de IoT por porte de produtor
| Barreira | Pequeno Produtor | Médio Produtor | Grande Produtor |
|---|---|---|---|
| Custo inicial | Muito Alto | Alto | Médio |
| Falta de conectividade | Muito Alto | Alto | Baixo |
| Conhecimento técnico | Alto | Médio | Baixo |
| Retorno do investimento | Alto | Médio | Baixo |
| Suporte técnico | Muito Alto | Alto | Médio |
Fonte: Análise baseada em dados Embrapa/SEBRAE/INPE 2024
Cases de sucesso: IoT transformando propriedades brasileiras
Case 1: Strider – Da startup brasileira à aquisição pela Syngenta

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A Strider, startup brasileira de agtech, representa um dos cases de maior sucesso em IoT agrícola no país. A empresa, que atualmente possui “1,5 milhão de hectares de clientes ativos no Brasil e no mundo”, foi adquirida pela Syngenta, demonstrando o potencial de inovação do agronegócio nacional.
Resultados alcançados pela Strider:
- Plataforma de agricultura digital que integra dados de múltiplas fontes
- Redução média de 15% nos custos de produção dos clientes
- Aumento médio de 12% na produtividade das lavouras monitoradas
- Gestão de mais de 1,5 milhão de hectares em tempo real
Case 2: Fazenda Reunidas do Papagaio – Transformação digital em Minas Gerais
A Agropecuária Reunidas do Papagaio implementou um sistema completo de IoT para agricultura de precisão, conforme relata seu Diretor Técnico Eduardo Godoi. A propriedade enfrentava desafios de custos elevados e necessidade de maior precisão na tomada de decisões.
Implementação realizada:
- Sensores de umidade e temperatura do solo em 5.000 hectares
- Estações meteorológicas conectadas
- Drones para monitoramento de culturas
- Sistema integrado de gestão baseado em dados
Resultados obtidos:
- Redução de 28% nos custos de fertilização
- Aumento de 18% na produtividade média de soja
- Economia de 32% no uso de defensivos
- ROI de 280% no segundo ano de implementação
Case 3: Grupo Tsuge – Inovação na produção de abacate
O Grupo Tsuge, focado na produção de abacate avocado, implementou tecnologias IoT para se tornar referência mundial na cultura. O projeto envolveu monitoramento especializado para esta cultura específica.
Tecnologias implementadas:
- Sensores específicos para monitoramento de árvores frutíferas
- Sistema de irrigação automatizada por microzona
- Monitoramento climático de precisão para qualidade dos frutos
- Rastreabilidade completa da produção
Resultados alcançados:
- Aumento de 45% na qualidade dos frutos
- Redução de 38% no uso de água
- Certificação internacional de sustentabilidade
- Posicionamento como fornecedor premium para mercados internacionais
Roadmap prático para implementação de IoT
Fase 1: Diagnóstico e planejamento estratégico
Antes de iniciar a implementação de IoT, é fundamental realizar um diagnóstico completo da propriedade e definir objetivos claros:
Etapas do diagnóstico:
- Mapeamento da propriedade: Levantamento topográfico, análise de solo e zoneamento produtivo
- Avaliação da conectividade: Teste de cobertura de rede móvel e opções de conectividade
- Análise econômica: Estudo de viabilidade e projeção de ROI
- Definição de prioridades: Identificação de gargalos produtivos mais críticos
- Escolha de tecnologias: Seleção de soluções adequadas ao perfil da propriedade
Fase 2: Implementação gradual por módulos
Cronograma recomendado para implementação:
Mês 1-3: Módulo básico de monitoramento
- Instalação de estação meteorológica conectada
- Implementação de 10-15 sensores de solo em áreas-piloto
- Configuração de sistema básico de coleta de dados
Mês 4-6: Ampliação do sensoriamento
- Expansão da rede de sensores para 50% da propriedade
- Instalação de sensores em máquinas principais
- Integração com sistema de gestão
Mês 7-9: Automação e inteligência artificial
- Implementação de sistema de irrigação automatizada
- Configuração de alertas automáticos
- Integração com drones para monitoramento aéreo
Mês 10-12: Otimização e expansão
- Cobertura completa da propriedade
- Implementação de aplicação em taxa variável
- Sistema completo de agricultura de precisão
Investimento necessário por porte de propriedade
TABELA: Estimativa de investimento em IoT por hectare
| Porte da Propriedade | Investimento Inicial (R$/ha) | Custo Anual de Manutenção (R$/ha) | ROI Esperado (Ano 1) |
|---|---|---|---|
| Até 500 ha | R$ 180 – R$ 250 | R$ 45 – R$ 65 | 150% – 200% |
| 500 – 2.000 ha | R$ 120 – R$ 180 | R$ 30 – R$ 45 | 200% – 280% |
| 2.000 – 5.000 ha | R$ 80 – R$ 120 | R$ 20 – R$ 30 | 280% – 350% |
| Acima de 5.000 ha | R$ 50 – R$ 80 | R$ 15 – R$ 25 | 300% – 450% |
Fonte: Estimativas baseadas em casos reais de implementação – Valores para culturas de grãos em 2024
Ferramentas e parceiros essenciais
Principais fornecedores de tecnologia IoT agrícola no Brasil:
- Strider (Syngenta Digital): Plataforma completa de agricultura digital
- Solinftec: Soluções de IoT para máquinas agrícolas
- John Deere: Tratores e implementos conectados
- Jacto: Pulverizadores com tecnologia embarcada
- Climate FieldView (Bayer): Plataforma de agricultura digital
- Aegro: Sistema de gestão agrícola com IoT
- Cropwise (Syngenta): Soluções integradas de monitoramento
Critérios para seleção de fornecedores:
- Experiência comprovada no mercado brasileiro
- Suporte técnico local
- Integração com equipamentos existentes
- Escalabilidade da solução
- Custo-benefício adequado ao porte da propriedade
Análise de ROI e viabilidade econômica
Cálculo prático do retorno sobre investimento

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Para demonstrar a viabilidade econômica da implementação de IoT, vamos analisar um caso prático de uma propriedade de 1.000 hectares de soja no Centro-Oeste:
Cenário base (sem IoT):
- Produtividade média: 55 sacas/ha
- Custo de produção: R$ 3.200/ha
- Receita bruta: R$ 4.400/ha (soja a R$ 80/saca)
- Margem líquida: R$ 1.200/ha
Cenário com IoT (após implementação):
- Investimento inicial: R$ 150.000 (R$ 150/ha)
- Produtividade média: 68 sacas/ha (+23,6%)
- Custo de produção: R$ 2.950/ha (-7,8%)
- Receita bruta: R$ 5.440/ha
- Margem líquida: R$ 2.490/ha
Resultado financeiro:
- Aumento na margem: R$ 1.290/ha
- Retorno total no primeiro ano: R$ 1.290.000
- ROI no primeiro ano: 760%
- Payback: 1,4 meses
Fatores que impactam o ROI
Elementos que aumentam o retorno:
- Aumento de produtividade: Média de 15-25% observada em propriedades que implementaram IoT
- Redução de custos: Economia em insumos de 20-35%
- Otimização operacional: Redução de horas-máquina e combustível
- Melhor timing: Tomada de decisão baseada em dados em tempo real
- Qualidade superior: Melhores índices de classificação dos grãos
Fatores de risco:
- Conectividade limitada: Pode reduzir eficiência do sistema
- Capacitação insuficiente: Subutilização das funcionalidades
- Manutenção inadequada: Falhas em sensores e equipamentos
- Integração deficiente: Dificuldades de compatibilidade entre sistemas
TOP 25 tecnologias IoT para agricultura de precisão
Sensoriamento e monitoramento
- Sensores de umidade do solo multicamada: Monitoramento da água disponível em diferentes profundidades
- Estações meteorológicas inteligentes: Coleta automatizada de dados climáticos locais
- Sensores de pH e condutividade elétrica: Monitoramento químico do solo em tempo real
- Câmeras multiespectrais: Análise de saúde das plantas através de índices de vegetação
- Sensores de luminosidade PAR: Medição da radiação fotossinteticamente ativa
- Dispositivos de monitoramento de pragas: Detecção automática de insetos através de armadilhas inteligentes
- Sensores de temperatura foliar: Identificação de estresse térmico nas plantas
- Medidores de clorofila portáteis conectados: Análise nutricional não-destrutiva
- Sensores de movimento para animais: Monitoramento de rebanhos em sistemas integrados
- Dispositivos de medição de biomassa: Estimativa de produtividade através de sensores
Automação e controle
- Sistemas de irrigação automatizada por zona: Controle individualizado de setores de irrigação
- Aplicadores de defensivos com taxa variável: Pulverização inteligente baseada em mapas de prescrição
- Distribuidores de fertilizantes conectados: Aplicação precisa de nutrientes
- Portões automáticos para manejo animal: Controle de fluxo em sistemas pecuários
- Sistemas de ventilação inteligente: Controle climático em estufas e aviários
- Comedouros automáticos para animais: Nutrição controlada e monitorada
- Sistemas de ordenha robotizada: Automação completa da ordenha com coleta de dados
- Cortinas automáticas para proteção: Proteção automatizada contra intempéries
Conectividade e processamento
- Gateways LoRaWAN rurais: Conectividade de longo alcance para sensores remotos
- Módulos GPS/GNSS de alta precisão: Navegação centimétrica para máquinas
- Sistemas de telemetria de máquinas: Monitoramento remoto de equipamentos
- Plataformas de big data agrícola: Processamento e análise de grandes volumes de dados
- Aplicativos móveis de gestão: Interfaces para controle e monitoramento em campo
- Sistemas de backup de energia solar: Autonomia energética para sensores remotos
- Drones autônomos com inteligência artificial: Monitoramento aéreo automatizado
Políticas públicas e incentivos governamentais
Plano Nacional de Internet das Coisas (IoT)

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O governo federal criou o Plano Nacional de Internet das Coisas no final de 2019, com o objetivo de implementar e desenvolver a IoT no Brasil. O setor agropecuário foi destacado como área prioritária, com apoio significativo:
Investimentos governamentais:
- R$ 200 milhões em tecnologias de hardware, software e plataformas para a Internet das Coisas, com apoio do BNDES junto com bancos privados e empresas nacionais
- Foco específico em aumentar a produtividade e relevância do Brasil no comércio mundial
- Objetivo de posicionar o país como o maior exportador de soluções de IoT para a agropecuária tropical
Linhas de financiamento disponíveis:
- BNDES Mais Inovação: Financiamento para projetos de inovação em agtech
- Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono): Crédito subsidiado para tecnologias sustentáveis
- PROCAP-AGRO: Programa de capitalização de cooperativas agropecuárias
- Moderagro: Modernização da agricultura com foco em tecnologia
- INOVAGRO: Financiamento específico para inovação tecnológica no campo
Iniciativas estaduais de conectividade
São Paulo: Meta de eliminar a falta de cobertura de internet rural até 2026, com linha de crédito específica para kits de internet em propriedades rurais.
Mato Grosso: Projeto “MT Conectado” para levar internet banda larga a 100% das propriedades rurais até 2025.
Goiás: Parceria público-privada para expansão de torres de telecomunicações em áreas rurais.
Sustentabilidade e agricultura regenerativa
IoT como catalisador da agricultura sustentável
A implementação de tecnologias IoT está intrinsecamente ligada aos objetivos de sustentabilidade do agronegócio brasileiro. As soluções tecnológicas permitem:
Monitoramento de carbono no solo:
Sensores especializados acompanham os níveis de matéria orgânica e sequestro de carbono, contribuindo para programas de créditos de carbono e agricultura regenerativa.
Uso eficiente de recursos hídricos:
Sistemas inteligentes de irrigação reduzem o desperdício de água em até 40%, preservando recursos naturais essenciais.
Redução de emissões:
Otimização de rotas de máquinas e aplicação precisa de insumos diminuem significativamente as emissões de gases de efeito estufa.
Biodiversidade e polinizadores:
Sensores específicos monitoram a presença de polinizadores e fauna benéfica, permitindo práticas que preservam a biodiversidade.
O futuro da agricultura brasileira conectada
Tendências emergentes para 2025-2030

Fonte: Wikimedia Commons – Creative Commons
Agricultura 5.0 e 6.0:
As próximas gerações da agricultura digital incorporarão inteligência artificial avançada, machine learning e até mesmo quantum computing para otimizações ainda mais precisas.
Conectividade 5G no campo:
A expansão da rede 5G para áreas rurais permitirá aplicações em tempo real ainda mais sofisticadas, incluindo realidade aumentada para treinamento e manutenção.
Blockchain para rastreabilidade:
Integração de blockchain com IoT para rastreabilidade completa desde a semente até o consumidor final.
Robôtica autônoma:
Robôs especializados para colheita, poda e outras operações delicadas, controlados por sistemas IoT.
Biotecnologia conectada:
Sensores que monitoram expressão genética e resposta de plantas geneticamente modificadas a condições ambientais específicas.
Desafios futuros e oportunidades
Segurança cibernética:
Com a crescente conectividade, a proteção de dados agrícolas torna-se crítica. Investimentos em cybersecurity serão essenciais.
Interoperabilidade:
Padronização de protocolos para que diferentes sistemas e marcas possam se comunicar efetivamente.
Capacitação continuada:
Necessidade de programas permanentes de educação digital para produtores rurais.
Democratização da tecnologia:
Desenvolvimento de soluções de baixo custo para pequenos produtores.
Conclusão: A revolução digital do campo brasileiro
A implementação de IoT na agricultura de precisão brasileira não é mais uma questão de “se”, mas de “quando” e “como”. Os dados apresentados demonstram inequivocamente que as propriedades que abraçam esta transformação digital obtêm vantagens competitivas substanciais:
Aumento médio de 20-47% na produtividade através de manejo baseado em dados precisos
Redução de 25-35% nos custos de produção via otimização de insumos e operações
ROI consistente de 200-450% dependendo do porte e tipo de implementação
Sustentabilidade ambiental com redução significativa no uso de recursos naturais
Competitividade internacional posicionando o Brasil como líder em agricultura tropical inteligente
O Brasil possui todos os elementos necessários para liderar esta revolução: dimensão territorial adequada, expertise agronômica reconhecida mundialmente, ecossistema de startups agtech em crescimento e políticas públicas de incentivo. O desafio da conectividade, embora real, está sendo gradualmente superado através de iniciativas público-privadas.
Para produtores rurais, cooperativas e empresas do agronegócio, a mensagem é clara: a adoção de tecnologias IoT deixou de ser um diferencial para se tornar um requisito de sobrevivência no mercado moderno. Aqueles que postergarem esta transformação correm o risco de se tornarem obsoletos em um mercado cada vez mais competitivo e exigente.
Próximos passos para acelerar sua transformação digital
- Realize um diagnóstico completo da sua propriedade para identificar oportunidades de maior impacto
- Desenvolva um plano de implementação gradual começando pelas áreas de maior retorno
- Invista em capacitação de sua equipe para maximizar o aproveitamento das tecnologias
- Busque parcerias estratégicas com fornecedores que ofereçam suporte técnico local
- Monitore e meça resultados constantemente para otimizar o retorno sobre investimento
A agricultura brasileira está pronta para dar o próximo salto evolutivo. A questão não é se a tecnologia IoT vai transformar o campo, mas se você estará na vanguarda desta transformação ou assistindo seus concorrentes ganharem vantagem.
O futuro da agricultura é digital, sustentável e altamente produtivo. E esse futuro começa hoje.
FONTES OFICIAIS E GOVERNAMENTAIS
Órgãos Governamentais:
- Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)
- Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações
- Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)
- Ministério da Agricultura e Pecuária
- BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
Instituições de Pesquisa:
- Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)
- SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas)
- INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)
- Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP)
CONSULTORIAS E PESQUISAS INTERNACIONAIS
Empresas de Consultoria:
- Markets and Markets (consultoria internacional)
EMPRESAS E EXECUTIVOS CITADOS
Fabricantes de Máquinas:
- John Deere Brasil (Paulo Herrmann, presidente)
- Case IH
- Valtra
- Fendt
- Jacto
Empresas de Tecnologia Agrícola:
- Strider (adquirida pela Syngenta)
- Syngenta Digital
- Solinftec
- Bayer (Climate FieldView)
- Aegro
- Cropwise (Syngenta)
Produtores/Cases:
- João Silva (nome fictício) – Mato Grosso
- Agropecuária Reunidas do Papagaio – Eduardo Godoi (Diretor Técnico)
- Grupo Tsuge
PROGRAMAS E POLÍTICAS PÚBLICAS
Iniciativas Governamentais:
- Plano Nacional de Internet das Coisas (IoT)
- Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono)
- PROCAP-AGRO
- Moderagro
- INOVAGRO
- BNDES Mais Inovação
Projetos Estaduais:
- “MT Conectado” (Mato Grosso)
- Projeto conectividade rural (São Paulo)
- Parceria público-privada (Goiás)



